segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

“PITCHING” (TÉCNICAS DE ARREMESSO) PARA GANHAR O JOGO - 3

 Trabalho elaborado por MAMORU ABE (Voluntário sênior da JICA para a comunidade nikkei)

c) Qual é o treino que está pretendendo fazer?

c.1) Se a preocupação é com a forma de arremessar como um todo

Não se atenha a detalhes; pode pedir para o receptor ficar de pé e arremessar com espontaneidade, assim que receber a bola, sem se preocupar com a postura. É melhor atirar a bola logo que a recebe, sem se preocupar com a postura, pois assim fica com os ombros relaxados e consegue efetuar os arremessos suavemente. Assim, poderá ter uma noção do ritmo a imprimir no corpo inteiro e sobre a flexão dos quadris.

c.2) Se for para checar cada parte do movimento do corpo

Defina primeiro o tipo de bola que deseja arremessar. É porque, conforme o tipo de bola, varia o modo de utilizar cada parte do corpo. Observe a bola arremessada e analise que parte deve ser usada, e como dese ser usada., para imprimir eficientemente a força ou a rotação na bola. Aprenda por meio de tentativa e erro.

c.3) Se for para adquirir o controle nos arremessos

Seria desperdício de tempo continuar o treinamento com o receptor permanecendo sempre de pé. Peça para ele ficar agachado e arremesse indicando o curso da bola. A zona de “strike” é aquele espaço sobre qualquer parte do “home plate” (base principal), que fica entre as axilas e a parte superior dos joelhos do batedor. É uma extensão bastante grande, mas é preciso ter em mente que se trata de um espaço em que é possível rebater a bola. O centro dessa zona é a <zona de hit>, a <zona de “home run>. O arremessador arremessa tentando neutralizar a ação do batedor. Portanto, precisa saber efetuar os arremessos nos pontos onde o batedor tem dificuldade para rebater. Ter controle não significa saber jogar “strike”, mas sim conseguir direcionar o arremesso ao ponto desejado (o arremessador precisa ter capacidade até para arremessar um “ball”, propositadamente). Para tanto, é necessário dividir a zona de “strike” em “in course” (curso interno) e “out course” (curso externo), limite superior e limite inferior, e treinar firmemente até que consiga mandar a bola nessas direções. O importante, nessa ocasião, é evitar que a bola desvie do curso desejado e entre no meio da zona de “strike”. É porque, quando a bola desvia para fora da zona de “strike”, é apenas contado um “ball”.

Porém, uma bola que passa no meio da zona de “strike” pode resultar num “hit”(rebatida indefensável).

c.4) Se for para arremessar bola rápida

Supondo que a sua força atual seja 10, se ficar arremessando com força abaixo disso, não se poderá esperar que a velocidade de seus arremessos aumente. É necessário arremessar usando mais de 100% de sua capacidade, a fim de elevar o nível de sua força. No treino, vá além do seu limite habitual, e no jogo, comece arremessando com 80% de sua força. Mesmo assim, na hora do jogo, sempre acaba forçando; por isso, se não arremessar com toda a força no dia-a-dia, sentirá efeito na força muscular e na resistência. Assim sendo, talvez não seja suficiente fazer treinamento de arremesso apenas; é importante também saber como usar a força do corpo inteiro, fazendo arremessos de grande distância, bem como fortalecer os músculos.

c.5) Se for para arremessar bolas com efeito

Em primeiro lugar, observe a rotação das bola. Verifique se ela está girando na direção para onde está pretendendo desviar a bola. Sem isso, não haverá efeito (é possível dar efeito a uma bola arremessada sem rotação; nesse caso, deve-se observar se a bola não está girando). O que provoca o efeito é a rotação imprimida na bola com o punho. Tentando de várias formas, peça para o receptor verificar a rotação e o grau do efeito e vá memorizando como foi efetuado aquele arremesso bom. Para facilitar esse trabalho, uma boa medida seria traçar linhas na bola ou pintá-la.

c.6) Se for para fazer um número predeterminado de arremessos

Que tipo de bola pretende arremessar, em que direção, e quantas vezes? E a bola arremessada seguiu o curso desejado? Onde houve falha? Enfim, é preciso arremessar checando sempre o controle, a velocidade e a potência da bola.

Se quiser aprender a jogar cada tipo de bola com um pouco de seriedade, é desejável que se faças de 200 a 300 arremessos diariamente. 200 arremessos pode parecer muito, mas se jogar 100 bolas rápidas, 50 no curso externo e 50 no curso interno; 50 “rise ball” (bola que sobe quando se aproxima do batedor) e 50 “drop ball” (bola que cai quando se aproxima do batedor), já terá efetuado 200 arremessos. Se acrescentar ainda o “change up” (bola com pouca velocidade) e o “curve” (bola que faz curva), chegaremos a 300 arremessos. Pensando bem, verificaremos que não dá para treinar mais do que 50 arremessos de cada tipo de bola por dia. Se arremessar mais do que isso, haverá o risco de comprometer os ombros. O número de arremessos que podemos fazer por dia não passa disso. Por isso, é preciso treinar com afinco, do contrário levará anos. Poderá levar quantos anos forem necessários, desde que consiga dominar as técnicas, pois treinando sem muita seriedade, só estará marcando passo. Não é necessário treinar sempre no mesmo ritmo; quando sentir dor, o melhor a fazer é descansar. O treinamento deve ser bem planejado; nunca deve fazer o que dá na veneta.

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