quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

COMO FORMAR UMA EQUIPE FORTE - 2

Trabalho elaborado por MAMORU ABE (Voluntário sênior da JICA para a comunidade nikkei)

2. CONSTRUIR PEDRA POR PEDRA A RELAÇÃO DE CONFIANÇA ENTRE AS JOGADORAS E O TÉCNICO

a) Coisas que não se deve deixar por conta de cada jogadora

Na medida do possível, as jogadoras da categoria Júnior para cima devem criar o hábito de pensar, incluindo as coisas da vida cotidiana, para que possam agir por si. Por exemplo, quando o técnico soltar uma senha durante o jogo, daí em diante tudo deve ficar a cargo da própria jogadora; ela terá de entender o sinal, pensar e saber o que fazer. Isso porque não é possível transmitir-lhe cada detalhe da jogada.

Um dos meios de conseguir que as jogadoras criem o hábito de pensar é fazê-las participar de um jogo-treino, sugerindo-lhes para observarem a partida como se fossem técnicas, inclusive imaginando o que fariam se realmente o fossem. Poderá dizer-lhes: [“Hoje, observem o jogo imaginando que são técnicas, e pensem o que fariam se realmente o fossem”].

As jogadoras das categorias “Juvenil” e “Adulta”, desde que treinem, devem conseguir pensar conscientemente. Então, como cada uma vai pensar por si, a batedora deve entrar no “batter’s box” já imaginando a estratégia que será usada pelo técnico. [“Provavelmente o técnico usará aquela tática numa situação como esta”, pensará]. Se a senha do técnico for aquela que está esperando, pensará aliviada [“Ah, é isso mesmo!”] e preparar-se á para “aquela” jogada. Além do mais, se a jogadora estiver entendendo bem a intenção do técnico, psicologicamente a coisa ficará totalmente diferente de quando ela fica surpresa com a tática adotada pelo técnico.[“O quê?! Esta tática nesta situação?”, pensará contrariada]. Como se vê, quando o pensamento de ambos estão bem sintonizados , surge um bom relacionamento.

Talvez, à primeira vista, as expressões “confiar nas jogadoras” e “contar com as jogadoras” estejam sendo entendidas como significando a mesma coisa. Mas, na hora do jogo, é preciso tratar as jogadoras separando bem uma coisa da outra. Concretamente, é isso: na hora do jogo, faça a escalação da equipe, baseando-se na capacidade das jogadoras e acreditando nelas, mas não dependa delas quanto ao resultado.

Significa que, obviamente, o técnico fica na expectativa, mas não deve ter esperança em excesso. Por exemplo, no softbol, a jogadora que consegue rebater 25% é considerada uma boa batedora. Ficar decepcionado ou irritado porque a jogadora não conseguiu rebater numa determinada situação é cometer crueldade contra ela.

O técnico deve reunir as jogadoras durante os treinos e, explicando-lhes bem o objetivo e o sentido do treinamento, procurar fazê-las compreender corretamente o que pensa. Se o técnico ficar conversando com as jogadoras imaginando que elas estão entendendo, poderá enganar-se; haverá casos em que, na verdade, elas não estão entendendo nada. Por isso, é necessário confirmar se estão realmente entendendo. Se a conversa for unilateral, não será possível construir a relação de confiança entre as jogadoras e o técnico. Não adianta nada o técnico achar que está tudo em ordem se as jogadoras, que são as protagonistas, não entenderem o que ele quer. Assim, a conversa entre eles não terá sentido.

b) Formação de recursos humanos

Para orientar as jogadoras, é melhor falar-lhes objetivamente sobre as causas do mau desempenho: [“O resultado foi este porque faltou tal habilidade”] e mostrar-lhes o caminho para resolver o problema: [“Por isso deverá corrigir isso”]. Não basta só apontar os pontos fracos, mas fazer com que as próprias jogadoras tenham consciência disso e treinem para eliminá-los. Se as próprias jogadoras não se conscientizarem dos seus defeitos, elas não se dedicarão seriamente para corrigi-los. Repreender, simplesmente, não resolve, e pode prejudicar a construção da relação entre as jogadoras e o técnico. Jogadoras que fazem determinado treino só porque o técnico mandou, ou porque receiam ser repreendidas, não progridem. É preciso mostrar-lhes que também têm de pensar, para descobrirem a maneira de superar as deficiências.

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