domingo, 20 de agosto de 2017

ARBITRAGEM EM BEISEBOL – RESPONSABILIDADES BÁSICAS (3)

ÁRBITRO DA 2ª BASE


Durante o jogo, o árbitro da 2ª base está na melhor posição para facilitar a comunicação e orientar a equipe de árbitros. Se o árbitro da 2ª base for um bom comunicador, melhorará enormemente a mecânica de arbitragem.


Sem corredor(es) em base, a posição inicial do árbitro da 2ª base é na área central do campo, cerca de seis metros além da beira da grama do campo externo. A escolha do lado em que vai ficar (no lado direito ou no lado esquerdo da área central) depende do batedor. Deve permanecer sempre no lado para onde o batedor tende a ‘puxar’ a bola, já que a maioria dos defensores se posiciona no lado oposto do batedor. A exceção é quando há corredor somente na 3ª base, com menos de duas eliminações. Nesse caso, a posição inicial do árbitro da 2ª base é cerca de seis metros atrás do interbases. O árbitro da 2ª base deve ser capaz de cobrir jogadas na 3ª base quando o árbitro da 3ª base vai atrás da bola em território “foul”.


Quando há corredor(es) em base, a posição inicial do árbitro da 2ª base é no lado do defensor da 2ª base, na beira da grama do campo interno e perto do canto recortado (esta posição se denomina ‘B profunda’). Em todas as situações em que há um corredor ou uma ameaça na 2ª base, o árbitro da 2ª base deve ficar nessa posição, independente da quantidade de eliminações. Em outras palavras,  com um corredor somente na 3ª base, o árbitro da 2ª base deve ir para fora do quadrilátero outra vez. Esta posição ‘B profunda’ dá ao árbitro uma excelente visão, não só da jogada tentando surpreender o corredor fora da base, mas também  do toque(“tag”) no corredor da 1ª base que está roubando a 2ª base. Além disso, é muito mais fácil cobrir a 2ª e a 1ª bases quando o árbitro da 1ª base vai atrás da bola.


Em caso de os defensores estarem tentando impedir a anotação de um ponto, posicionando-se dentro do quadrilátero, o árbitro da 2ª base deve permanecer atrás desses defensores, perto da beira da grama do campo externo. Em rebatida “fly” para o campo externo, o árbitro da 2ª base não deve ir atrás da bola; deve entrar no quadrilátero e responsabilizar-se pelo “tag up” (saída de base) do corredor da 2ª base e por outras jogadas no campo interno.


O árbitro da 2ª base não tem responsabilidade alguma de decidir “fair”-“foul” ou responder à consulta sobre “half swing”, porém quando ele está posicionado dentro do quadrilátero, deve, ocasionalmente, ‘matar’ uma bola rebatida que vai diretamente na direção do batedor e o atinge; deve dividir essa responsabilidade com os outros árbitros de base. Independente do hábito que esse árbitro possa ter, a melhor maneira de ‘matar’ a bola é declarar “Tempo!”; gritar <“Foul  Ball”!> poderia ser incorreto. Se o batedor está fora do “box” quando é atingido por uma bola “fair”, ele deve ser declarado eliminado (normalmente pelo árbitro de “home”). Se um árbitro de base que não tem ângulo para determinar se o batedor está dentro ou fora do “box” declarar um “foul ball”, poderá causar sérios problemas.


Quando o árbitro da 2ª base está posicionado fora do quadrilátero, ele é o guia da equipe de árbitros; deve observar todas as bolas rebatidas para o campo externo e determinar qual árbitro deve ir atrás de bolas “fly”. Qualquer rebatida “fly” ou “line drive” que vai na direção de um defensor do campo externo, ou na direção do espaço entre defensores do campo externo, pertence ao árbitro da 2ª base. Parar, observar e reagir é absolutamente vital. Quando a bola é rebatida, o árbitro da 2ª base deve parar por um instante, o suficiente para ver para onde a bola está indo; observar para que direção os defensores do campo externo estão se movendo para efetuar a defesa; e correr decididamente, ou na direção do defensor, mantendo um bom ângulo para ver a tentativa de apanhar a bola, ou na direção do campo interno. O árbitro da 1ª base e o da 3ª base devem se movimentar com base no que o da 2ª base faz. Se o movimento do árbitro da 2ª base for hesitante ou incerto, seus companheiros não saberão o que fazer. Mesmo que faça uma má avaliação e se movimente na direção errada, o árbitro da 2ª base deve continuar correndo decididamente e seguir adiante (razoavelmente). É melhor ter o árbitro da 1ª base dando uma decisão sobre uma bola apanhada no espaço jardim direito-jardim central (caso o árbitro da 2ª base tenha resolvido entrar no quadrilátero) do que ter dois árbitros correndo atrás da mesma bola “fly”. Naturalmente, não é correto o árbitro da 2ª base decidir “fair”-“foul” só por ter ido, por engano, na direção de uma bola rebatida para as proximidades da linha de “foul”. Quando está posicionado  dentro do quadrilátero, o árbitro da 2ª base não tem responsabilidade alguma de observar o defensor que está apanhando uma bola rebatida para o campo externo. O árbitro da 1ª base e o da 3ª base dividem essa responsabilidade.


Quando está posicionado fora do quadrilátero, o árbitro da 2ª base não tem responsabilidade alguma sobre bolas apanhadas no campo interno. Se, porém, está posicionado dentro, ele geralmente tem o melhor ângulo para observar as jogadas feitas  pelo defensor da 2ª base e pelo interbases (a não ser que o defensor esteja ‘mergulhando’ para o lado oposto do árbitro) e muitas vezes tem a melhor visão de uma jogada feita por um defensor que está se movendo pra frente. Como em qualquer bola apanhada no campo interno, é importante que a decisão seja dada sem precipitação.

Se o árbitro da 2ª base está posicionado fora do quadrilátero quando ocorre a rebatida, ele deve ir para uma das duas direções: ou se movimenta em direção à bola,  mantendo um bom ângulo para observar o defensor tentando apanhá-la, ou corre decididamente na direção da 2ª base para esperar uma eventual jogada nessa base sobre o batedor-corredor. Se o árbitro da 2ª base está dentro do quadrilátero quando a bola é rebatida, ele deve fazer uma das três coisas: (1) Pode permanecer onde está. Se nenhum dos outros árbitros de base  vai atrás da bola, deve simplesmente decidir as jogadas que ocorrem na (ou perto da) 2ª base. (2) Se o árbitro da 1ª base deixa a sua base numa bola “fly”, o árbitro da 2ª base ou o árbitro de “home” podem ter que cobrir a 1ª base para decidir as jogadas naquela base. (3) Se o árbitro da 3ª base deixa a sua base numa bola “fly”, o árbitro da 2ª base ou o árbitro de “home” podem ter que cobrir a 3ª base para decidir as jogadas naquela base. Para definir qual dos dois árbitros deve cobrir a base ‘abandonada’, é preciso saber se a jogada começa com um corredor na posição de anotar ponto. Se este for o caso, o árbitro de “home” geralmente permanece na sua posição, e o árbitro da 2ª base faz a cobertura se houver necessidade. Quando não há corredor(es) na posição de anotar ponto, o árbitro de “home” deve cobrir a 3ª base. Isso é válido também para situações em que a bola “fly” é facilmente apanhada.


Durante o jogo, os árbitros devem conversar  o menos possível/ou até tentar abster-se de conversar com jogadores, “coaches”, técnicos e outros árbitros do grupo. Em algumas situações, pode haver necessidade de conversar com seus companheiros nos intervalos entre “innings” (por exemplo, quando as mecânicas de arbitragem não estão funcionando bem  e querem evitar que os erros se repitam). A fim de evitar que os árbitros tenham de gritar para chamar a atenção de seus companheiros, deve ser usado um sinal. Se um árbitro quer conversar com um companheiro depois da próxima metade de “inning”, deve cruzar os braços na frente do peito olhando o árbitro com quem quer se comunicar (quando ele olha em sua direção). Esse árbitro reconhecerá o seu gesto, fazendo o mesmo sinal. Lembrem-se que os árbitros não devem conversar logo depois de uma situação problemática ou de uma decisão questionável. Nesses casos, devem deixar a conversa para a próxima metade de “inning”.

Um árbitro de base precisa realmente ir arás de todas as bolas “fly”? Sim!! O trabalho é feito por uma equipe de árbitros por uma razão: melhor cobertura. A menos que a bola rebatida seja um “hit” evidente e ‘limpo’, alguém deve ir. Quando um árbitro vai deixar a base, deve indicar a sua intenção a seus companheiros (deve dizer: “estou indo”). Se o árbitro fica de costas para sua base, deve-se considerar que ele deixou a base. Um vez que o árbitro fica de costas para sua base, não deve retornar para decidir jogadas nessa base.


Fonte: Manual de Arbitragem da Federação Internacional de Beisebol (IBAF – International BAseball Federation)

Sem comentários:

Enviar um comentário