sexta-feira, 18 de agosto de 2017

ARBITRAGEM EM BEISEBOL – RESPONSABILIDADES BÁSICAS (2)

ÁRBITRO DA 1ª BASE


A posição inicial do árbitro da 1ª base é ligeiramente fora da linha de “foul”, um a dois metros atrás do defensor da 1ª base, mas pelo menos seis metros atrás da base; quando há corredor na 1ª base, deve ficar a, aproximadamente, dois a três metros da base, com o pé direito perto da linha de “foul”; deve estar preparado para observar a tentativa de jogada sobre o corredor.


Com quatro árbitros, as decisões sobre “swings” interrompidos são muito simples. O árbitro que está ‘de frente’ ao batedor decide, respondendo à consulta sobre “half swing” feita pelo árbitro de “home”; ou seja, o árbitro da 1ª base responsabiliza-se pela decisão se o batedor é destro, mas fica isento de toda responsabilidade quando o batedor é canhoto.


As responsabilidades sobre decisões “fair”-“foul” não devem trazer surpresas. O árbitro da 1ª base deve dar a decisão “fair”-“foul” em bola rebatida que chega à 1ª base antes de ser tocada por um defensor; deve também ‘matar’ uma bola rebatida que vai diretamente na direção do batedor e o atinge. Essa responsabilidade deve ser compartilhada com outros árbitros do grupo. Observe que foi usada a palavra ‘mata’. Independente do hábito que o árbitro possa ter, a melhor maneira de ‘matar’ a bola é declarar “Tempo!”; gritar <“Foul  Ball”!> poderia ser incorreto. Se o batedor está fora do “box” quando é atingido por uma bola “fair”, ele deve ser declarado eliminado (normalmente pelo árbitro de “home”). Se um árbitro de base que não tem ângulo para determinar se o batedor está dentro ou fora do “box” declarar um “foul ball”, poderá causar sérios problemas.


Em caso de a visão de um dos árbitros estar encoberta por um defensor, ele tem de solicitar o auxílio de um companheiro que esteja em melhor posição para ver o lance (não ‘transfira’ a decisão para outro árbitro, mas peça sua ajuda). Isso acontece quando o árbitro de “home” está encoberto numa decisão “fair”-“foul” antes da base ou quando o árbitro da 1ª/3ª base está encoberto numa decisão “fair”-“foul” na base ou além da base.


Quando uma bola “line drive” vai diretamente na direção do árbitro da 1ª/3ª base e faz esse árbitro se mover de sua posição inicial, a responsabilidade da decisão “fair”-“foul” passa a ser do árbitro de “home”. Embora a bola tenha ultrapassado a base, o árbitro da 1ª/3ª base talvez não esteja adequadamente posicionado para dar a decisão. Esta situação é diferente daquela de ‘visão encoberta’ há pouco descrita, na qual o árbitro da 1ª/3ª base tem ajuda do árbitro de “home”, mas continua sendo o responsável pela decisão.


Quando uma rebatida “ground” forte, após ultrapassar a 1ª/3ª base, vai em direção ao espaço entre o defensor da 1ª base e a linha de “foul” do jardim direito ou entre o defensor da 3ª base e a linha de “foul” do jardim esquerdo, o árbitro da 1ª/3ª base –respectivamente– tem de ‘perseguir’ a bola para ver o que acontece. Isso é aplicável somente quando o campo não está totalmente fechado (por exemplo, há uma abertura na cerca), ou quando há um “bull pen” (área onde os jogadores fazem aquecimento) em território “foul”, que pode provocar uma Interferência. Em ambos os casos, a presença de um árbitro perto do lance pode evitar muitos problemas e discussões.


As responsabilidades no campo externo são baseadas na posição inicial do árbitro da 2ª base. Quando o árbitro da 2ª base está ‘fora’, o árbitro da 1ª base deve observá-lo em todas as bolas “fly”, mas tem de ficar na expectativa para cobrir as bolas rebatidas para o lado esquerdo do jardineiro direito. Quando o árbitro da 2ª base está ‘dentro’, o árbitro da 3ª base determina a cobertura do campo externo. O árbitro da 3ª base deve responsabilizar-se por todas as bolas rebatidas na direção do jardineiro central que vem à frente ou vai para trás ou se move para a sua direita.


Nas bolas apanhadas no campo interno, os “flies” curtos apresentam poucos problemas, mas os “line drives” baixos são verdadeiros pesadelos. O árbitro da 1ª base é o responsável por jogadas feitas pelo defensor da 2ª base que está se deslocando na direção da linha de “foul” e por jogadas feitas pelo defensor da 1ª base, nas quais ele consegue ver a luva do defensor. Em qualquer bola apanhada no campo interno, a decisão não deve ser dada apressadamente. O árbitro deve estar seguro do que vai decidir; deve comunicar-se com seus companheiros (contato visual) e ser firme ao dar sua decisão.


Quando a bola é rebatida, o árbitro da 1ª base pode ir em qualquer das quatro direções. Em rebatida “ground” para o campo interno, deve ficar posicionado e atento para uma jogada na 1ª base. Em bola “fly” para o jardim direito, deve deixar sua base para ver o que acontece. Em rebatida indefensável ‘limpa’ ou em bola “ground” que rola para o campo externo, deve ir pra frente, movimentando-se em território “foul”, e observar o batedor-corredor tocar a 1ª base. Se a jogada exige que o árbitro de “home” cubra a 3ª base, deve ir para “home” somente quando o batedor-corredor/ou corredor se dirige à 3ª base.


A quarta opção é chamada ‘o deslocamento’. Em resumo: tem início uma jogada, com um corredor na posição de anotar ponto; a bola rebatida para o campo externo vai na direção da área do árbitro da 3ª base; o árbitro da 1ª base entra  no quadrilátero, observa o batedor-corredor tocar a 1ª base e fica preparado para decidir jogadas na 1ª ou 2ª base, deixando o árbitro da 2ª base livre para cobrir uma jogada na 3ª base.


Durante o jogo, os árbitros devem conversar  o menos possível/ou até tentar abster-se de conversar com jogadores, “coaches”, técnicos e outros árbitros do grupo. Em algumas situações, pode haver necessidade de conversar com seus companheiros nos intervalos entre “innings” (por exemplo, quando as mecânicas de arbitragem não estão funcionando bem  e querem evitar que os erros se repitam). A fim de evitar que os árbitros tenham de gritar para chamar a atenção de seus companheiros, deve ser usado um sinal. Se um árbitro quer conversar com um companheiro depois da próxima metade de “inning”, deve cruzar os braços na frente do peito olhando o árbitro com quem quer se comunicar (quando ele olha em sua direção). Esse árbitro reconhecerá o seu gesto, fazendo o mesmo sinal. Lembrem-se que os árbitros não devem conversar logo depois de uma situação problemática ou de uma decisão questionável. Nesses casos, devem deixar a conversa para a próxima metade de “inning".


Um árbitro de base precisa realmente ir arás de todas as bolas “fly”? Sim!! O trabalho é feito por uma equipe de árbitros por uma razão: melhor cobertura. A menos que a bola rebatida seja um “hit” evidente e ‘limpo’, alguém deve ir. Quando um árbitro vai deixar a base, deve indicar a sua intenção a seus companheiros (deve dizer: “estou indo”). Se o árbitro fica de costas para sua base, deve-se considerar que ele deixou a base. Um vez que o árbitro fica de costas para sua base, não deve retornar para decidir jogadas nessa base.


Fonte: Manual de Arbitragem da Federação Internacional de Beisebol (IBAF – International BAseball Federation)

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