segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A ARBITRAGEM EM BEISEBOL E SOFTBOL

Artigo escrito por Reimei Yoshioka* há alguns anos atrás (na época ele presidia a Federação Paulista de Beisebol e Softbol)
 
Em qualquer modalidade esportiva, a questão da arbitragem é um aspecto fundamental, pois a inexistência dessa figura inviabiliza uma competição ou campeonato. No beisebol e softbol ela não foge à regra e é preciso dar uma atenção à mesma, a fim de que o nível desse esporte não seja afetado pelo baixo nível da arbitragem.
 
As regras do beisebol e softbol são inúmeras, complexas e algumas delas dependem da interpretação do árbitro. Em inúmeras jogadas, cada equipe deseja que a decisão lhe seja favorável e é entre esses dois interesses antagônicos que se coloca o árbitro, para decidir de forma imparcial o lance.
 
Haverá decisões com erro, mas pergunta-se: quem não erra, mormente quando os lances ocorrem com diferença de frações de segundos? Certamente, só não erra quem não atua de árbitro e daí o grande mérito da pessoa que se dispõe a colaborar nessa tarefa, sujeitando-se às críticas, procedentes ou não. É fácil invocar o insucesso de um jogo com a atuação de árbitros, esquecendo-se de examinar a atuação da equipe no tocante a seus erros na defesa e baixo índice de “batting”, erros táticos, etc...
 
Outro aspecto muito importante para ser árbitro é a sua vontade. Vontade de contribuir com o beisebol e softbol, entender que ele é componente, um colaborador na formação, educação, socialização das crianças através da prática do esporte. Deve, portanto, partir dele a iniciativa de ser árbitro, enfrentar eventuais incompreensões, espectadores mais exaltados, técnicos e atletas inconformados, que fazem desacato á sua autoridade dentro do campo.
 
Nesse particular, abrindo um parêntese, não poderíamos deixar de ressaltar a figura de Huguioshi Sugeta, que ingressou recentemente no quadro de árbitros do Paraná. Tendo sido atleta de destaque no passado, servido a seleção brasileira, ele dá sua contribuição como técnico e agora como árbitro. Apesar de toda essa bagagem no beisebol, ele procura aperfeiçoar-se na nova missão. Procura orientação dos mais antigos na função e está sempre disposto a aceitar sugestões dos companheiros. É mais uma lição que os Sugetas dão para o beisebol.

O árbitro deve saber manter a sua conduta ponderada, tratar a todos com urbanidade. Ele deve se posicionar acima dos interesses das equipes e fazer com que de sua atitude serena e firme dependa o curso regular de uma partida.

O árbitro deve estar, antes de mais nada, em harmonia com a sua consciência. Fazer a sua autocrítica após o jogo: será que atuei de acordo? As reclamações que recebeu tinham procedência? Sentiu que decidiu bem os strikes e os balls? E o safe e o out? Estava bem posicionado para ver o lance?
Essas perguntas devem ser feitas a ele mesmo ao final de uma partida. Além disso, o reconhecimento da autoridade de um árbitro depende, também, do traja apropriado, postura adequada, atenção a todos os lances, a fim de que o espectador, os atletas e os técnicos sintam firmeza e segurança nas suas decisões.
Por outro lado, a condução de uma partida de beisebol e softbol é feita por árbitros que devem atuar de forma entrosada e com espírito de equipe. Como já foi dito anteriormente, o beisebol e softbol têm regras complexas e o árbitro deve conhecê-las através de estudos e leituras frequentes e sanar a dúvida consultando o livro de regras.
Dessa forma, a preparação de um árbitro é uma tarefa demorada que exige anos e anos de atuação e constante estudo das regras. Para que a pessoa venha a ser um bom árbitro é preciso gostar da tarefa, ter iniciativa de receber orientações e se preparar, não só fisicamente, mas também através de ensaios de gestos, voz e postura.
No Brasil, a maioria dos dirigentes e treinadores ainda trabalha à base de voluntariados, mas à medida que o beisebol e o softbol começam a ser competitivos, aliados à chegada dos cubanos começam a ocorrer mudanças na sistemática dos clubes, proporcionando remuneração aos técnicos. Para isso, os dirigentes dos clubes têm procurado patrocinadores que cubram esses gastos.
A arbitragem deve evoluir nesse sentido, pois, não é possível contar com a boa vontade desses abnegados, durante anos e anos, fazendo gastos com combustível, compras de uniforme e equipamentos, só por amor ao esporte.  Em quase todos os países, atuação dos árbitros é remunerada, não que eles consigam sobreviver com esse ganho, mas no sentido de não terem que pagar para atuar. Parece, portanto, que a formação, aumento do número e qualidade da arbitragem é tarefa de todos os beisebolistas e softbolistas.

*Ex-presidente da Associação de Árbitros e Anotadores de Beisebol e Softbol do Brasil.

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